Encosta-te a mim,já não cago à cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me cagar.
Chegado da farra,
fiz tudo p´ra conter, em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus gases
faz de mim o teu herói,
não quero conter.
Tudo o que eu comi,
estou a partilhar contigo
o que não engoli, hei-de cagar contigo
sei que não sei, às vezes onde me limpar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
aliviamos tantas fezes
vizinha de mim, deixa sujar o teu quintal
recebe esta bomba que não está armadilhada
foi dobrada, foi feijoada, seja como for.
Eu venho do nada porque deixei o que não quis
no meio da estrada onde me senti feliz
enrosca-te a mim, vai despejar a água cagada
vem cheirar o homem-bomba, quero-me cagar.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não engoli,
um dia hei-de cagar contigo
sei que não sei, às vezes onde me limpar
mas quero-te bem, encosta-te a mim
Encosta-te a mim
Encosta-te a mim
Quero-te bem.
Jorge Calma